Um plano de investimentos bilionário e muitos empregos. É a promessa da maior empresa privada do Brasil: a Vale. Vamos saber mais detalhes lá em São Paulo. Foi uma resposta à pressão do governo.
Em um encontro em São Paulo o presidente Lula voltou a cobrar mais investimentos e mais empenho da diretoria da Vale. Roger Agnelli, o presidente da empresa, foi elegante. Disse que Lula estava cumprindo o papel dele de fazer cobranças. E a maior empresa privada do país anunciou nesta segunda-feira (19) um investimento bilionário para o ano que vem.
Durante o encontro com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, o presidente Lula mandou mais uma mensagem ao presidente da Vale, que estava presente: "Não adianta a Vale do Rio Doce achar que é grande e ficar sentado numa cadeira no Rio de Janeiro, na sede da Vale, se não for para a rua vender. É preciso disputar cada milímetro".
Foi mais uma queixa pública do presidente a Roger Agnelli. A penúltima delas havia sido feita na sexta-feira: "As grandes empresas também têm que fazer acontecer e a Vale do Rio Doce sabe a importância dela. Portanto eu quero exportar mais valor agregado do que minério. Eu quero gerar mais empregos".
Embora a Vale seja uma empresa privada, a oposição entende que o presidente Lula tem tentado interferir em sua atuação. Nas últimas semanas, chegou-se a especular que o presidente gostaria de entregar o comando da empresa a um dos fundos de pensão ligados ao governo, o que, na prática, seria uma forma de restatização.
Fazem parte do bloco de controle da vale três grandes fundos de pensão de empresas do governo: a Previ - do Banco do Brasil, a Petros, dos funcionários da Petrobrás, e a Funcef, da Caixa Econômica Federal. Juntos, eles detêm quase a metade das ações da Valepar, grupo que controla a Vale.
Para o ex-ministro da Fazenda, Mailson da Nóbrega, o presidente Lula não deveria interferir nas decisões da Vale.
"O presidente da República não tem o poder de interferir numa instituição privada. Seria uma loucura se os investidores que acreditaram na Vale, na sua capacidade de expandir as suas atividades, de gerar lucro, se derem conta de que a Vale começa a ser gerida segundo os desejos da área política", diz o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega.
No início do ano, o presidente reclamou quando a Vale anunciou 1,3 mil demissões por causa da crise. Para o governo, a empresa é dependente do mercado externo. Em vez de apenas vender minério, deveria também fabricar produtos. Ao vender a matéria-prima para fora do país, o governo deixa de recolher impostos e a criação de empregos fica limitada.
O presidente quer que a Vale também atue no setor de siderurgia. O presidente da empresa responde que ela é uma mineradora e partir para a produção de aço significaria competir com os próprios clientes. Lula sugeriu, então, que a Vale fizesse parceria com os clientes e chamou para uma conversa os dirigentes dos fundos de pensão.
Privatizada há 12 anos, a empresa faturou no ano passado, US$ 38,5 bilhões e multiplicou por seis o seu valor de mercado. Ontem, o presidente da Vale anunciou investimentos de R$ 24,5 bilhões da Vale para 2010: 30% a mais do que a empresa vai gastar este ano.
"O presidente Lula está no papel dele. Tem que dar estímulo, tem que cobrar para que o país continue crescendo. Ele é um craque nesse ponto", aponta o presidente da Vale Roger Agnelli.
Mais cedo, na própria segunda-feira, Lula disse que é um homem de paz: "O presidente da República não precisa fazer a paz com ninguém porque eu sou um homem de paz".
No plano anunciado na segunda-feira (19), a Vale informou que vai construir uma usina no Pará. Também devem ser erguidas unidades no Ceará e no Espírito Santo.
Fonte: Bom Dia Brasil