Ações da Telecom Itália sobem com rumor de fusão
Os rumores de que a Telecom Itália vai se unir com a espanhola Telefônica elevaram as ações da operadora italiana ontem. Os papéis fecharam com alta de 3,05% na Bolsa de Milão, cotados a 1,08.
No fim do mês passado, a imprensa italiana publicou que a resistência do governo ao controle da Telecom Itália pela Telefônica tinha diminuído. A operadora espanhola é a maior acionista da Telco, que controla a empresa italiana. Seus sócios são instituições financeiras da Itália.
Ontem, o jornal O Globo noticiou que um acordo de fusão deve ser anunciado até o início de maio. Em comunicado, a Telefônica disse que as notícias "não têm fundamento".
O Barclays Capital expressou cautela. "Os reguladores da América Latina, em particular do Brasil e da Argentina, poriam obstáculos a uma fusão entre as duas empresas", disse o banco. No Brasil, a Telefônica tem 50% da Vivo e a Telecom Itália é dona da TIM. A regulamentação do País impede que duas concorrentes tenham o mesmo controlador.
Segundo o Barclays Capital, se a transação prosseguir, "a Telefônica perderá seu impulso de crescimento, tendo seu Ebitda (sigla em inglês de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em expansão na América Latina diluído pelo Ebitda estável ou declinante da empresa italiana".
As duas companhias recusaram-se a comentar o assunto. No Brasil, as ações sem direito a voto da Vivo subiram 3,19%, somando R$ 53,34, enquanto os papéis da TIM aumentaram 3,96%, para R$ 4,99.
No domingo, o jornal espanhol El País publicou que o presidente da Telefônica, César Alierta, disse estar satisfeito com a situação atual da operadora espanhola na Telecom Itália. Na segunda-feira, o Diário Econômico, de Portugal, trouxe uma entrevista com Marco Fossati, que tem cerca de 5% da Telecom Itália. O investidor defendeu a fusão.
GOVERNOS
O ministro espanhol da Indústria, Miguel Sebastian, disse ontem ter discutido as notícias de compra da Telecom Itália pela Telefônica com o ministro italiano de Desenvolvimento Econômico. "Tive sorte no jantar de me sentar ao lado de Claudio Scajola, o ministro italiano, e falamos sobre vários assuntos", disse.
"É verdade que ele mencionou o assunto da Telefônica e Telecom Itália e eu comuniquei a posição do governo espanhol de não intervir, não interferir e não dar opinião sobre negócios entre empresas." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.